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domingo, 22 de maio de 2011

Carnaval de Veneza e suas máscaras.

Hoje celebrado em várias partes do Mundo, o Carnaval ou Entrudo, antigo folguedo carnavalesco que consistia em várias brincadeiras. As mais comuns eram as pessoas atirando água, farinha, ovos podres e fuligem umas nas outras. Teve a sua origem na Europa, segundo uns nas festas em honra de Baco ou Saturno da Roma antiga, embora outros se inclinem mais para reconhecer a sua raiz nos rituais celtas pagãos que foram posteriormente regulamentados pela Igreja Católica.

Hoje é quase consensual que a palavra Carnaval originou-se de carne + vale (do latim: caro, carnis = carne; vale = adeus), ou ainda da expressão carne levare ou carnilevamen. As duas expressões têm sentido quase idêntico: suspensão da carne, abstenção de carne, o Carnaval marcava o fim dos prazeres carnais e era celebrado com grande liberdade de costumes, em que se podia comer e beber sem limite, nos três dias anteriores à Quaresma, período de abstinência em que só era permitido comer peixe. O Carnaval de Veneza pode ser considerado o mais importante e famoso de toda a Europa. 



O Carnaval de Veneza é dito ter originado a partir de uma importante vitória do "della Repubblica Serenissima" (como era chamada a cidade de VENEZA naqueles tempos), na guerra contra Ulrico, o patriarca de Aquiléia, em 1162 anos. Para comemorar esta vitória, as danças e as reuniões passaram a realizar-se na Praça de San Marco.

Após a derrota, Ulrico teve de pagar à cidade um touro e doze porcos, como reembolso de guerra. Assim, a partir desse momento, a tradição foi criadam, de "executar" todo ano a mesma quantidade de animais na praça San Marco, toda a população participava da festa, que tinha banquetes, bailes e acrobatas. Carnaval nasceu oficialmente.

É claro, como era habitual naqueles tempos, e devido ao caráter multicultural de Veneza, mágicos e outros se juntaram à festa. Alguns por trabalho, outros somente por diversão.

 O Bauta também é conhecida como a máscara de Casanova. É toda branca em forma de bico, exceto os olhos. Esta máscara também é usado com um chapéu com três pontas. Dá a ideia de misterioso e sombrio. Esta máscara é provavelmente a mais conhecida em todo o mundo. 

O carnaval começou no século XI, quando tinha a duração de seis meses, e alcançou sua maior popularidade no século XVIII. Durante este período, os venezianos de todas as classes sociais, ficavam vestidos com uma espécie de casaco largo preto, chamado de "tabarro",uma capa preta de seda cobrindo os ombros e o pescoço, e o "bauta" (máscara branca em forma de bico). 




Com o tempo, estes simples trajes iguais foram dando vazão à imaginação pessoal, e fez vestidos muito diferentes, que muitas vezes foram inspirados nos personagens do Teatro de Comédia, o mais famoso foi o personagem chamado "Mattaccino". 

Fantasiados tudo era permitido, sem hierarquias sociais respeitadas, as pessoas podiam interferir na aristocracia ou ridicularizar as autoridades. Veneza se transformou em um palco de teatro real, onde as danças, canções e amor foram os protagonistas libertinos. 


As máscaras no Carnaval de Veneza se tornaram um hábito para os nobres inescrupulosos, pois assim poderosos matavam seus rivais ficando impunes e mulheres podiam se entregar aos prazeres do sexo com os servos, pois eram protegidas por uma lei que absolvia as damas da acusação de adultério caso o homem estivesse usando uma máscara, afinal ele podia ser seu próprio marido. Por isso, em 1608 o uso das máscaras chegou a ser proibido, fazendo assim com que o Carnaval de Veneza entrasse em decadência, mas depois voltou a ser permitido e até hoje a cidade festeja durante esse período do ano.

Após quase desaparecer no século XIX, o Carnaval de Veneza vem, desde 1980, sendo revivido e encorajado pelas autoridades. Atrai hoje mais de 100 mil pessoas que, apesar do frio e da ameaça das marés altas que freqüentemente inundam a praça de São Marcos, para ali convergem a fim de admirar o luxo das fantasias e das máscaras.



Em Veneza, nas belas mansões e palácios do Gran Canale, organizam-se também luxuosos bailes, regados a champanhe e animados por ruidosas orquestras. A alta sociedade internacional, afastada do burburinho das ruas, comparece aos salões dos hotéis de luxo, decorados a cada ano com temas retirados das óperas de Verdi. Neles dançam-se valsa, tarantela e até mesmo o samba, cada vez mais popular. O povo, por sua vez, concentrado na Praça São Marcos, se diverte de maneira bem mais desinibida.



Informações sobre o carnaval de Veneza 2011 e preparativos para 2012:





Curiosidade

Commedia dell'arte - Conhecida também como Comédia de Máscaras, a Commedia Dell´Arte era composta por espetáculos teatrais em prosa, muito populares na Itália e em toda a Europa na segunda metade do século XVI até meados do século XVIII. O espetáculo era baseado no improviso dos atores, que seguiam apenas um esquema elaborado pelo autor para cada cena cômica, trágica ou tragicômica. Grandes atores criavam as ações e os diálogos diante do público. Tornaram-se famosas as figuras de Arlequim, do doutor, do capitão Spaventa, de Pulcinella, Pantalone e Colombina, entre outros, com seus tipos físicos regionais, com seus dialetos e temperamentos especiais, vestimentas e máscaras características.




Sites de pesquisa:

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Veneza. O sonho é real

Havia dormido mal na noite anterior pensando como seria esse encontro, afinal, era um sonho de menina conhecer Veneza. Sonho daqueles que nós, meninas românticas, criamos na época que também acreditamos em príncipes e contos de fada. 



No mural de fotos do meu quarto havia uma página que recortei de uma revista com uma imagem linda escrito: “Veneza desaparece 1cm por ano. Isso significa 1cm a menos de Veneza a cada 365 dias. Porque a vida é agora – Visa.” Aquela página foi o passaporte para inúmeras viagens, inúmeras Venezas. Imaginava como seria um lugar onde os carros dão lugar aos barcos e gôndolas, charmosos gondoleiros cantando para casais apaixonados...
E como eu havia adiado essa tão desejada viagem. Sempre deixava para “o ano que vem”, com medo de Veneza não ser a “minha” Veneza.


Partimos de Padova cedo em direção “a cidade-sonho”, ao sair do trem já estávamos em frente ao Grande Canal.De lá pegamos um vaporetto com o bilhete para desembarque no Rialto (6,50€  - 12 horas). 

Com os olhos marejados de lágrimas e o coração acelerado, fui navegando para meu destino. Nesse trajeto, com o vaporetto avançando pelo Grande Canal, fui dominada pelo mais profundo encantamento que se pode ter de um lugar: palácios imponentes, torres, cúpulas de igrejas, gôndolas e mais gôndolas. Até desembarcarmos perto da Ponte do Rialto. Já estávamos em terra firme, mas minhas pernas ainda não haviam entendido isso, pois estavam trêmulas de emoção.





Desembarcando no Rialto
Ponte do Rialto


As gôndolas são o charme de Veneza, estão por todos os lados. Algumas decoradas com almofadas em forma de corações, ideais para os casais apaixonados. Infelizmente não fiz o passeio. Não que eu não quisesse, afinal passear pelos canais e contemplar a linda vista do entardecer com o seu amor ao lado é algo para não esquecer mais... Mas, apesar de lindo, o passeio não é nada acessível. São mais ou menos 100 euros por 45 minutos, por pessoa. Ficou para próxima vez...



Fomos nos perder por Veneza, a cidade flutuante no Mar Adriático. Descobrir suas ruazinhas, atravessar as pontes, desvendar suas belezas.
Em um passeio a pé pelas ruas estreitas, não é possível deixar passar um único minuto sem esbarrar em uma nova atração.

 



Fonte: Revista Viagem e Turismo
Mapa dos pontos turísticos do centro da cidade.

Veneza não segue a lógica de uma cidade normal, afinal ela não tem nada de comum. As ruas seguem o rumo dos canais e mesmo caminhando com um mapa é possível se perder. As ruelas cheias de curvas nos fazem perder o senso de direcionamento. São mais de 100 ilhotas com uma centena de pontes! Por isso, são inúmeras as placas de orientação. O Grande Canal, como o nome já diz, é o principal dos canais e divide a cidade ao meio.



E foi saindo de uma dessas ruelas que chegamos a Piazza San Marco, a praça central de Veneza, onde além da Basilica de San Marco, Palazzo Ducale (Palácio dos Doges), abriga também os históricos cafés, o Museo Correr e o Campanile.









Na praça tem o famoso CAFFÉ FLORIAN, o mais antigo café da Europa. No local, uma miniorquestra toca ao fim da tarde. Sente-se no lado de fora, peça um café expresso ou “Cioccolata calda con panna” e fique observando os pombos e a basílica ao fundo. O Florian é um perfeito camarote para contemplar um dos mais bonitos ângulos de Veneza. 





A Basilica é belíssima, (ticket 4€). Sua construção do século 11 é fabulosa. Lá está guardado os restos mortais de São Marcos. Veja  a vista virtual do terraço superior. Imperdível! 










Uma das vistas mais encantadoras de Veneza, sem dúvida é no topo (98,5m) do Campanile (8€). Quando foi construído, por volta de 912, tinha três diferentes motivos: ser a torre do sino da basílica, posto de vigia do porto e farol para os navios. É a estrutura mais alta da cidade.
 




Vista do Campanile para a Basilica San Marco
Palazzo Ducale




Saindo da praça em direção da Riva degli Schiavoni , que liga o Palazzo Ducale  às Prigioni Nove , o primeiro edifício no mundo construído para ser uma prisão, está a ponte mais famosa de Veneza, Ponte dos Suspiros, que de romântica não tem nada na verdade, pois na janelas gradeadas da ponte, os prisioneiros viam da cidade pela última vez, e certamente suspiravam, antes de serem jogados na úmida e fria prisão.

Quando fomos a Veneza a Ponte dos Suspiros
estava sendo restaurada

Veneza, em seus inúmeros detalhes, nos mostra histórias que alimentam nossas fantasias (ainda que nos dias de hoje não acreditemos nos príncipes e seus castelos). Mas no mundo globalizado enganam-se quem ousar pensar que a secular Veneza não tem espaços para grandes grifes. Lá as grifes ganharam contornos especiais assim como os das tradicionais máscaras – que, diga-se de passagem, ainda são encantadoras e eternas lembranças.






A globalização faz isso. 
Hard Rock Café em Veneza...
















A grandeza da cidade foi conquistada por meio da navegação e do comércio. Ela foi, por séculos, a porta do Oriente. Tornou-se um afresco de seu tempo. É impossível, nesta cidade, encontrar um ângulo ruim. Ficaremos com a imagem da cidade gravada em nossas almas pelo resto de nossos dias. Veneza, enfim, é indicada aos poetas, aos sonhadores e àqueles a quem sobrou algum sentimento mais duradouro do que uma camiseta do Hard Rock Cafe.
 

Dicas e informações


Se você já está na Itália, a melhor maneira de chegar a Veneza é de trem. Há duas estações, Santa Lucia, na parte histórica da cidade, e Mestre, no continente. Pare na primeira.


Você pode comprar os bilhetes ACTV nos guichês nas docas ou bilheteiras. Você também pode comprar bilhetes de um dos muitos vendedores autorizados (tabacarias, lojas de jornal e alguns cafés): não se esqueça de validar seu bilhete na máquina amarela antes de entrar no vaporetto. Os ingressos não são vendidos a bordo dos barcos. Se você está a bordo sem bilhete, informar a tripulação ACTV imediatamente para evitar o pagamento de uma multa.


Se você embarca em uma parada que não tem uma bilheteira, a abordagem do condutor imediatamente após o embarque e pedir um biglietto. Caso contrário, poderá ser multado pesadamente por viajar sem bilhete.


Passeio de gôndolas – A viagem de 40 minutos custa 80 euros e pode levar até seis pessoas. O passeio pode ser “esticado”; nesse caso, a cada 20 minutos extras, acrescenta-se 40€. A partir das 19h o preço do passeio sobe para 100€. São seis diferentes itinerários, mas é possível alterá-los. Atenção: esses preços são por passeio e não por pessoa. Passeios com músicas também custam mais. Na prática, os gondoleiros são abertos a negociação. Sempre combine o preço e a duração do passeio antes de embarcar. Para evitar ser explorado, consulte um escritório de turismo e informe-se sobre preços.


As gôndolas são incrivelmente uniformes. Todas pesam 700 kg, têm 280 componentes e utilizam oito tipos de madeira. Todas têm um remo, feito de faia, e uma forcola, um engate adaptado a cada gondoleiro para permitir que o remo seja manejado em oito manobras distintas. As gôndolas não são simétricas, elas são bem tortas para o lado, e o gondoleiro rema apenas de um lado. A gôndola mantém o equilíbrio por causa do peso do gondoleiro


É proibido entrar na Basilica com bolsas e mochilas. As mulheres não podem entrar usando roupas curtas e ombros descobertos. Shorts são permitidos para os homens. Ao lado da basílica existe um depósito onde é possível deixar os pertences, esse serviço é gratuito.


Para reserva de bilhetes antecipados para os pontos turísticos


Para mais pesquisas: mapa interativo da cidade.



"Quando eu cheguei a Veneza, descobri que meu sonho havia se tornado _inacreditavelmente, mas simplesmente_ meu endereço."
Marcel Proust



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